Abraço a marcas veganas expande o consumo consciente

A geração do século 21 é marcada pelo consumo desenfreado e desequilíbrio ecológico. Os produtores agrícolas estão basicamente focados na comercialização de produtos, resultando na utilização de muitos agrotóxicos para acelerar o crescimento dos alimentos e, ainda mais, na poluição ao meio ambiente. Porém, nos últimos anos as pessoas começaram a se conscientizar, buscando novas concepções de estilos de vida e aderindo ao consumo de produtos mais sustentáveis.

Em sua tese, a socióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fátima Portilho, defende que o consumo verde é aquilo que, além da variável qualidade/preço, inclui também a consciência ambiental no “poder de escolha” do consumidor, além da preferência por produtos que não agridam ou que sejam percebidos como não-agressivos ao meio ambiente. O surgimento da ideia do consumidor verde só foi possível, a partir da conjunção de três fatores inter-relacionados: o advento do ambientalismo público (1970); a “ambientalização” do setor empresarial (1980); e a emergência da preocupação com o impacto ambiental de estilos de vida e consumo das sociedades afluentes (1990). Dessa forma, o movimento de consumo verde enfatizou a habilidade dos consumidores agirem em conjunto, trocando uma marca X por uma marca Y, ou mesmo parando de comprar um determinado produto, para que os produtores percebessem as mudanças na demanda.

O mercado vegano e vegetariano ampliou o consumo verde, a partir do momento em que os consumidores incluíram ao seu poder de escolha a qualidade, o preço e as questões ambientais. Essas pessoas procuram produtos que não agridam o meio ambiente, pois estão cada vez mais preocupadas com a sustentabilidade do planeta.

A cada ano, esse perfil de consumidor surge com mais frequência no mercado, o que reduz o consumo de produtos que intensificam a agressão ao meio ambiente. Esse fator possibilita que mais  produtores passem a gerar produtos naturais e saudáveis.

Ter uma prática sustentável não é somente reciclar uma garrafa plástica, esse processo requer responsabilidade ambiental cotidianamente, pois as práticas sustentáveis diárias são necessárias para a preservação dos recursos ambientais. Atitudes conscientes constantes são capazes de reduzir o desmatamento e preservar a fauna e flora. O mais importante é o consumidor se conscientizar e mudar as suas atitudes no dia a dia, pois a forma de descartar o lixo de uma casa impacta todo o planeta.

 

Cosméticos Naturais

O consumo verde não diz respeito apenas a descarte correto de lixo ou uso consciente da água, por exemplo. O consumo consciente inclui buscar marcas que tem cuidados ao produzir seus produtos, dentre esses produtos, estão os cosméticos veganos ou orgânicos.

Os cosméticos naturais são diferentes dos produtos industrializados que compramos hoje em dia. Para que o cosmético seja considerado natural é necessário ir além da existência de ingredientes naturais na composição. Esses produtos devem seguir rígidos padrões de formulação e não podem conter qualquer tipo de ingrediente químico entre seus componentes.

Segundo o Estudo de Mercado de Cosméticos Naturais, realizado pelo SEBRAE em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em 2008, os cosméticos naturais têm ganhado espaço no mercado, pois os próprios consumidores estão mais exigentes e conscientes com os impactos ambientais que a produção industrial gera.

No Brasil não existe uma legislação específica para a fabricação de cosméticos naturais, o que acaba sendo um entrave ao investimento e desenvolvimento dessas empresas, explicou a pesquisadora do SEBRAE, Juliana Oliveira Rocha. Ela ainda complementa que a empresa que promove as certificações nacionais é o Instituto Biodinâmico de Certificações (IBD).

De acordo com a pesquisadora, o cosmético natural é aquele composto por matéria-prima natural, certificada ou não, englobando matérias-primas vegetais e minerais (IBD Certificaçōes, 2013). A certificadora francesa, ECOCERT, explica que de 700 dentre cerca de 1 mil fabricantes no mundo, caracterizam cosméticos naturais como aqueles que tenham 95% de ingredientes naturais e que no mínimo metade desses ingredientes devem ser orgânicos. Mas, para serem classificados como orgânicos, é necessário que no mínimo 95% dos ingredientes vegetais sejam oriundos de produção orgânica. Esta questão ressalta a visão inadequada que os produtores têm desses produtos.

Foto: Emilly Khrisna

A estudante de engenharia ambiental e sanitária, Déborah Basílio, explica de forma resumida sobre a importância da utilização desses tipos de produtos. “São produtos que não tem substâncias tóxicas ao nosso corpo, são sustentáveis, normalmente feito de coisas naturais, e que melhoram muito a pele, o cabelo e etc. Além também de ter um rendimento maior do que os normais. E ainda, eles ajudam na preservação do meio ambiente, e na não exploração animal, coisas que estão necessitando hoje em dia”, ressalta.

A utilização de cosméticos veganos não se restrigem à produtos que diferenciam-se pela qualidade. As pessoas que usam esses cosméticos, sejam eles veganos ou orgânicos, buscam um novos estilo de vida e formas de melhorar o mundo. Laryssa Afonso que trabalha para a empresa Piatan (fabricante de cosméticos veganos), ressalta a importância desta nova forma de pensar. “Um ciclo de respeito tanto entre quem consome quanto o que é consumido. Então a ideia é que seja uma forma de consumo que preserve o meio ambiente, que respeite as formas de vida e que acima de tudo respeite a própria saúde e o corpo da pessoa”, completa.

Foto: Emilly Krishna

Giovanna Oakes, blogueira sobre cosméticos veganos e estudante de Engenharia Ambiental, procura consumir somente cosméticos veganos, caseiros e biocosméticos, os quais não realizam testes ou qualquer tipo de exploração animal antes de comercializar os produtos. “Eu não utilizo mais desodorante industrializado. Uso pedra umi como desodorante, por exemplo. Já utilizei receitas caseiras como a de bicarbonato de sódio com óleo de coco, outras com leite de magnésia e óleos essenciais, que possuem muita qualidade. Além disso, em vez de comprar um creme, shampoo ou condicionador em uma embalagem de plástico, eu estou consumindo shampoo sólido. Ele é em barra como se fosse um sabonete, com aquela aparência de sabonete que vem numa embalagem de papel. Ou seja, ele não gera lixo e dura muito mais,tem uma durabilidade altíssima, além de ser super cheiroso”, afirma.

Ela ressalta que a transição para o veganismo é difícil e demorada, mas reconhece que foi uma decisão assertiva. Apesar de ser uma transformação benéfica, Giovanna  demonstra que se preocupa com a falta de debate sobre o assunto. “Eu acho que as informações ficam concentradas apenas na internet e não são muito disponíveis se ninguém te indica. Apesar da internet ser um espaço democrático, nesse sentido, muita gente provavelmente nem sabe que existe. Se ninguém comentar sobre isso com você ou te indicar, acaba que deixa de existir”, afirma Giovanna.

 

 

Foto: Emilly Krishna

Déborah e Giovanna deixam claro que um simples ato de redução de lixo proveniente de um desodorante pode fazer a diferença. “Eu mesmo vou gerar um resíduo de desodorante a cada dois anos, enquanto as pessoas que utilizam os cosméticos industrializados irão gastar de um até dois frascos por mês mais ou menos”, destaca a estudante Déborah.

Para você que se interessou, mas ficou com receio dos altos custos dos produtos naturais e veganos, temos uma notícia boa. Os cosméticos veganos além de serem bons para o organismo, possuem baixo impacto ambiental e são livres de compostos químicos. Eles também são acessíveis e possuem alta durabilidade.

Fotos: Emilly Krishna

Débora e Giovanna deixam claro que um simples ato de redução de lixo proveniente de um desodorante pode fazer a diferença. “Eu mesmo vou gerar um resíduo de desodorante a cada dois anos, enquanto as pessoas que utilizam os cosméticos industrializados irão gastar de um até dois frascos por mês mais ou menos”, destaca a estudante Déborah.

Para você que se interessou, mas ficou com receio dos altos custos dos produtos naturais e veganos, temos uma notícia boa. Os cosméticos veganos além de serem bons para o organismo, possuem baixo impacto ambiental e são livres de compostos químicos. Eles também são acessíveis e possuem alta durabilidade.

 

Reportagem: Emilly Krishna, Ingrid de Carvalho, Gianni Fabrício, Jássia Murielly, Luara Ariel e Marcela Costa.

Edição: Lara Bispo, José Antônio Carvalho, Ícaro Gonçalves, Noêmia Félix e Jéssica Borges 

 

 

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