Solidariedade é mais que uma ação

(Fonte: Reprodução/Vittude)

Doações se multiplicam durante a pandemia do covid-19

Com a chegada da pandemia do coronavírus, muitos trabalhadores perderam seus empregos, e pessoas em situação de rua ficaram cada vez mais vulneráveis com uma possível contaminação do vírus. Apesar deste cenário caótico, houve um crescimento de voluntários que têm se mobilizado para ajudar pessoas em estado de vulnerabilidade social, idosos e pessoas que precisam de apoio psicológico.

Várias instituições, organizações e cidadãos vêm promovendo campanhas e projetos solidários para quem mais precisa. Algumas das ações solidárias são a doação de alimentos, máscaras, álcool em gel, produtos de higiene pessoal, além de consultas gratuitas via internet.

A Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), juntamente com outros órgãos públicos, realizaram uma ação que arrecadou mais de 25 mil toneladas de alimentos, os quais foram doados aos moradores dos bairros mais carentes da região Leste de Goiânia. Segundo a diretora geral da OVG, Adryanna Melo Caiado, os alimentos foram entregues nas portas das casas dos moradores para que fossem evitadas aglomerações e evitar o risco de contaminação dessas populações.

A Central Única das Favelas (CUFA) de Goiás também está recolhendo donativos e realizando doações para auxiliar famílias carentes que neste período de pandemia estão em situação de vulnerabilidade social ainda maior, com a diminuição de renda e perda de empregos. A campanha Favela contra o vírus está arrecadando cestas básicas, álcool em gel e produtos de higiene e limpeza para doar às famílias mais necessitadas do Estado de Goiás para ajudá-las a se protegerem.

Além das instituições, vários cidadãos estão sendo solidários às populações mais vulneráveis, por meio da doação de máscaras e alimentos. Essas ações mostram que mesmo as pessoas estarem passando por uma situação de incerteza e por sentimentos de angústia, ansiedade e medo, ainda há espaço para olhar para o próximo.

Esse foi o caso da pedagoga Monica Mozzer, 48 anos, que está fabricando e doando máscaras de proteção. Segundo ela, sua iniciativa partiu após ver as orientações dadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a importância do uso de máscara para o controle do novo coronavírus. “Eu queria ajudar de alguma forma, e como a OMS estava explicando a importância das máscaras pensei que poderia fazer para doar. Procurei moldes e vídeos explicativos na internet e também qual a diferença das máscaras e como usar”, explica a pedagoga. Mônica é professora e está no sistema remoto de aulas no ensino básico e durante este período tirou um pouco do seu tempo para contribuir com o próximo. 

A princípio, Mônica estava fabricando máscaras com retalhos de tecido que ela possuía em casa, mas após alguns colegas se sensibilizaram com sua atitude, eles doaram mais tecidos, e assim ela foi produzindo mais máscaras.  Além do protetor individual, ela também forneceu um material informativo impresso com orientações para o uso do produto, já que ele deve ser usado de maneira correta para sua total eficácia.

Máscara e material informativo produzido por Monica Mozzer.

A pedagoga conta que muitas pessoas ficaram felizes ao ganharem as máscaras, e que elas também ficaram surpresas por, além de receberem uma, poderem pegar outras para doar. “Uma pessoa até me falou que não acreditava que ainda existem pessoas que podiam doar sem interesse. Outros perguntavam o preço e ficavam surpresos por ser doação”, relata.

Monica diz que é muito grata por ter tido condições de aprender a costurar e com isso ter tido a oportunidade de ajudar muitas pessoas. “Fazendo pelo outro você mostra que o outro também pode fazer”, finaliza.

Já o estudante de jornalismo Marcelo Alves, 24 anos, participou de um projeto que está distribuindo cestas básicas e alimentos, como marmitex, bolos, bolachas e hambúrgueres, para moradores de rua de várias regiões de Goiânia. Segundo ele, o que o motivou a participar da ação foi por ter se sensibilizado ao ver muitas pessoas passando necessidades.

Para ele, mesmo com pouco as pessoas já conseguem ajudar o próximo. “Ao ver a realidade das pessoas aprendi e venho aprendendo que não precisa ter muito dinheiro para ajudar o outro. Existem várias formas de ajudar, basta querer”, ressalta.

(Marcelo Alves distribuindo marmitex na região central de Goiânia)

Benefícios da solidariedade

A solidariedade é um dos atos mais genuínos e humanos no mundo em que vivemos. Ser solidário é muito mais do que somente ajudar o próximo, antes de mais nada é um sentimento de compaixão gerado pelo reconhecimento do outro como seu igual e necessitado de condições básicas de sobrevivência e proteção como qualquer um. Ser solidário não traz benefícios somente para quem é ajudado, mas também para quem ajuda. Muitos estudos comprovam que após uma ação generosa, as pessoas sentem-se mais felizes  trazendo ao doador realização pessoal e bem estar ao fazer parte de uma comunidade. 

  • Confira a entrevista com Katielly Rodrigues sobre solidariedade:

 

A relação entre solidariedade e bem estar físico, mental e emocional é analisada pelo escritor Allan Luks em seu livro The Healing Power if Doing Good: The Health and Spiritual Benefits of Helping Others (O poder curativo de fazer o bem: os benefícios espirituais e à saúde em ajudar os outros). Através de entrevistas, ele identificou a relação de causa e efeito entre ajudar o próximo e ter boa saúde. Após sua pesquisa, foi concluído que os participantes que iniciaram trabalhos voluntários tiveram um aumento da sensação de bem estar e melhoras na saúde.

  • Confira o podcast sobre a relação de felicidade e ajudar o próximo

 

Segundo o site Vittude, a solidariedade traz vários benefícios à saúde. Alguns deles são a diminuição dos efeitos de doenças físicas e psicológicas, a diminuição de dores no corpo, estresse, depressão e fobia social, além de melhorar a autoconfiança.

Muitas pessoas acreditam que precisam ter muito dinheiro para assim poderem ajudar o próximo. Porém o que elas não sabem é que até mesmo suas escolhas diárias como alimentos que consomem, produtos que utilizam e pequenas atitudes no dia a dia, como ajudar alguém a largar um vício, ceder seu lugar no transporte público, adotar um animal, ouvir ou fazer companhia para alguém que está se sentindo solitário já são atos solidários.

Precisamos uns dos outros para sobreviver, e a melhor maneira de fazer isso é pela solidariedade. As campanhas que estão sendo realizadas durante a pandemia nos mostram o quanto ainda existem pessoas boas e generosas no mundo, porém devemos ajudar o próximo não somente em tragédias mas em qualquer época. A solidariedade neste momento tão delicado é fundamental para a evolução das pessoas, pois além de ajudar o próximo o indivíduo se ajuda, o tornando uma pessoa mais amável, saudável e feliz.

 

Reportagem: Kimberlly de Melo.

Edição: Kimberlly de Melo, Izaura Araújo e Noêmia Félix da Silva.

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