Como alunos e professores têm enfrentado os desafios do ensino à distância?

(Imagem: Jornalismo Ambiental)

Medidas de isolamento social mudaram o dia a dia de estudantes

A pandemia do Sars-Cov-2 alterou temporariamente a realidade do ensino no mundo. Mudanças aconteceram em poucos dias: Escolas e universidades se viram obrigadas a suspenderem aulas presenciais, migrando para a Internet. No Brasil, respaldadas pelo Ministério da Educação (MEC), grande parte das instituições de ensino optaram pelo ensino remoto e, ao mesmo tempo, precisaram buscar soluções que atenuassem os efeitos da crise sanitária na rotina de alunos, professores e colaboradores.

Como organizar aulas virtuais, à distância, para milhares de alunos dos cursos presenciais? Como evitar perdas financeiras e, ao mesmo tempo, apoiar estudantes com menor renda financeira durante a paralisação? Todos esses questionamentos foram cruciais para uma adaptação rápida e de qualidade por parte dos educadores.

Para a coordenadora de ensino à distância da PUC Goiás, Rose Mary Almas, a preparação do ensino remoto foi a saída mais eficiente para manter o ritmo da educação presencial. O desejo era executar o presencial em suas características com o apoio da tecnologia. Por isso, priorizaram o atendimento síncrono, com o professor a disposição dos alunos exatamente no antigo horário de aula. “Cerca de uma semana de paralisações aqui, em Goiás, preparamos nosso Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e capacitamos professores. Assim, conseguimos planejar e ter uma estratégia de transição”, conta.

Foram criados ambientes virtuais para todas as disciplinas, com a inclusão de aproximadamente 5 mil turmas. O objetivo: Migrar para o AVA sem prejuízo dos planos traçados para a educação presencial. No espaço virtual, a comunidade acadêmica teve acesso às salas, e contato com os coordenadores de curso, podendo tirar dúvidas e, ainda, manterem-se informados sobre as atividades acadêmicas.

A suspensão temporária das atividades presenciais, por ordem governamental, é uma tentativa de reduzir o risco de contágio e disseminação do coronavírus entre os alunos e à população. Desta forma, esse período em quarentena oferece uma chance de experimentar novas maneiras de estudar, trabalhar, exercitar-se, e também questionar velhos hábitos.

O Google Trends, ferramenta que mostra as tendências de pesquisa no Google, registrou um aumento na busca pelo termo “EAD”. Em março de 2020, mês que a pandemia foi declarada, a procura pelo termo teve um salto. Veja no infográfico abaixo:

(Imagem: Jornalismo Ambiental)

Esse momento abre novas possibilidades para alunos e professores, uma vez que não precisam mais se deslocar para as universidades e/ou escolas em busca do ensino. Criando assim, um sistema de aprendizagem mais livre, e independente das amarras de uma localização geográfica.

O professor de biologia, química e física do ensino básico estadual de Goiás, Arthur Vilela conta as adequações feitas pelo Estado no ensino público. Segundo ele, foram adotadas diferentes modalidades na escola em que leciona. A principal foi a inclusão do WhatsApp e Zoom como ferramentas de ensino. “Criando grupos no aplicativo WhatsApp para cada turma, nesses ambientes virtuais são postados atividades todos os dias às 7 horas, e por volta das 9 horas fazemos uma chamada, e o tempo restante são para explicações e tirar dúvidas,” explica o professor.

Professor Arthur Vilela em sala de aula da rede pública estadual antes da pandemia. (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Para Vilela as principais dificuldades encontradas por ele e alguns colegas de trabalho são justamente sobre o contato professor-aluno, bem como a comunicação com os discentes que não possuem suporte tecnológico em casa. “Nos estamos tentando adaptar ferramentas melhores, de acordo com a necessidade de cada aluno. Alguns não tem acesso a internet, outros nem celular têm, então você percebe que eles fazem o que podem, dão um jeito,” relata.

Maryanna Oliveira, estudante da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em Portugal, cursa o segundo ano de Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria e Multimídia. A estudante relatou que possui aulas pela plataforma Zoom e que, apesar de ter suporte dos professores, sente uma grande dificuldade em desenvolver atividades e projetos que exigem encontros de grupos em momentos externos. “Tivemos dificuldades em resolver tarefas mais complexas e elaboradas, pois só a vídeo-chamada na maioria das vezes não resolvia,” esclarece.

 

Maryanna é graduanda de Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria e Multimídia. (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

A estudante percebe a importância do ambiente físico da instituição para o aprendizado e, mais que isso, a necessidade do professor durante todo o processo de formação, além de poder discutir em sala de aula e ouvir novas opiniões. “Eu só quero que essa fase de angústia passe o quanto antes, e que as pessoas consigam entender a importância da instituição, do ambiente físico. Eu realmente espero maior valorização da educação depois dessa pandemia,” fala

 

Verônica é graduanda de Direito (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Também estudante de graduação, Verônica Lopes, de 21 anos fala sobre a sobrecarga de trabalhos nesse período. Aluna da Faculdade de Anicuns, ela está no 9° período de Direito. Verônica percebe que o tempo dedicado aos estudos dobrou. “Meu tempo de estudo aumentou, e a quantidade de trabalhos acadêmicos triplicou. Não foi muito bem ajustado, as aulas são mais curtas, péssima qualidade de áudio e falta de material,” expõe.

 

 

 

O professor Arthur Vilela, ressalta ainda que é importante manter o foco durante esse momento de estudo em casa, uma vez que as distrações são maiores que em sala de aula. Como tentativa de reter a atenção dos alunos, ele explica que a inovação na forma de elaborar os conteúdos é uma opção. “Estamos implementando na maneira de passar as atividades, passando filmes relacionado a matéria, eu uso com meus alunos aplicativos de física que explicam o conteúdo de maneira simples, tudo para chamar a atenção do aluno e mantê-lo em uma rotina de sala de aula” diz.

O momento pelo qual professores e alunos estão passando é singular e pode mudar tanto a postura dos frequentadores dos cursos presenciais, quanto daqueles que estudam à distância. As atividades remotas significam a modernização e adaptação da realização das atividades pedagógicas. Ainda que de forma temporária e utilizada pontualmente, poderá auxiliar em futuras mudanças nas formas de ensino-aprendizagem,  trazendo um novo funcionamento próprio com concepção didático-pedagógica, estruturada de forma flexível.

Se interessou pelo assunto? Disponibilizamos também um Podcast com mais informações. Confira o podcast sobre Educação x COVID-19 abaixo:

Reportagem e redação: Ana Caroline Guerra.

Podcast: Jyeniffer Taveira, Ingrydi Cristina, Izaura Araújo

Edição: Heitor Nascimento Braz, Ícaro Gonçalves e Noêmia Félix da Silva.

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