Agenda 2030, alternativa mundial para acabar com a fome através de práticas sustentáveis

Ações promovem integração e o alinhamento para que as pessoas alcancem a segurança alimentar

Diante da situação que se encontra a humanidade no que diz respeito à fome e a erradicação da pobreza, o plano global intitulado Agenda 2030 está presente com evidência nos dias atuais. A proposta visa cumprir com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e as 169 metas para que os países alcancem o desenvolvimento sustentável e atender às necessidades da geração atual sem comprometer as futuras. A alternativa apresentada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro de 2015, atenta para um fator, o cuidado com a terra e o fornecimento de alimentos saudáveis por meio de investimentos em sistemas agroecológicos, sustentáveis e produção de alimentos que trabalhem a favor da natureza e que gerem alimentos suficientes e de qualidade para saciar a fome da população global.

Segundo os dados que constam na nova edição do relatório anual das Nações Unidas (FAO) sobre segurança alimentar e nutricional, após uma redução constante por mais de uma década, a fome no mundo está novamente em evidência, ocasionada por conflitos e mudanças climáticas. Em 2016, a fome afetou 815 milhões de pessoas, o que representa 11% da população global. O documento alertou também que existem múltiplas formas de má nutrição ameaçando a saúde de milhões de pessoas. Por isso, entre uma das metas está o Objetivo 2: acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável.

Entre as práticas para acabar com a fome utilizando a agricultura estão os processos de produção relacionados às formas sustentáveis nas quais os alimentos chegam à mesa dos brasileiros. A agricultura familiar é um exemplo desse processo. Ela é desenvolvida em pequenas propriedades rurais, por grupos familiares. A colheita dos produtos serve de alimentos para as famílias e garante o consumo de parte da população.

Em Goiás, a agricultura familiar, além de suprir as necessidades dos cidadãos por meio de práticas saudáveis, contribui para o crescimento regional, desenvolvendo um setor numericamente significativo através do trabalho de agricultores tradicionais e assentados. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que Goiás tem 88.436 estabelecimentos familiares ocupando 3.329.630 hectares, com média de 37,6 hectares por implantação.

Foto: Daniel Castellano / Fotos Públicas

A aposentada Marilza Gomes da Costa de 63 anos, viu na Agricultura Familiar a oportunidade de ajudar famílias e órgãos de assistência a pessoas carentes, além de adquirir uma renda extra. Em sua chácara que fica no assentamento de Canudos, no município de Guapó, região metropolitana de Goiânia, ela cultiva frutas, verduras e folhas que são distribuídas em uma cooperativa mista de agricultura familiar que atende 50 famílias de baixa renda e no banco de alimentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Além da aposentadoria, Marilza ganha uma renda de R$ 20 mil por ano do município de Guapó e  R$6.800,00 da Conab pelo trabalho que é desenvolvido na chácara.” Participar dessa iniciativa da agricultura familiar foi uma ótima oportunidade, após o falecimento  do meu esposo e o acidente que deixou meu filho deficiente, foi uma forma de sustentar minha família”.

Fome no Brasil e no Mundo

De acordo com dados da FAO, o combate à fome no Brasil se estagnou. A organização estima que em 2017 haviam “menos de 5,2 milhões” de brasileiros passando fome, uma mudança radical em comparação aos números que vinham sendo apresentados nos últimos anos.  Em 2014, essa taxa era de “menos de 5,1 milhões”. Dois anos antes, o volume era de 5 milhões. O ponto mais baixo foi atingido em 2010, quando “menos de 4,9 milhões” de brasileiros eram considerados famintos. O relatório indica ainda que o Brasil só vai alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de número 2: Fome Zero até 2030, se incentivar o cuidado com a alimentação e manter programas governamentais de acesso a alimentos para garantir a segurança alimentar dos brasileiros.

Para a Doutora em Ciências da Saúde, Estelamaris Tronco, uma das principais características para perceber a importância da segurança alimentar é entender como ela funciona. “Não existe uma segurança que é só alimentar e uma que é só nutricional, a segurança é um todo, ela é alimentar e nutricional. Porque ela parte do princípio que para que aconteça tem que ter dois elementos, tem que ter comida e tem que ter uma ação dessa comida dentro do ente, do indivíduo”, explica.

Foto: Daniel Castellano / Fotos Públicas

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *