Alimentos orgânicos: agricultura sustentável e segurança alimentar

Alimentos orgânicos (Foto: reprodução)

Além de mais saudáveis a produção desse tipo alimento diminui os impactos no meio ambiente

Os alimentos orgânicos são aqueles que em todo o seu processo de produção são utilizadas técnicas que respeitam a natureza, como sistemas naturais para proteger pragas e fertilizar o solo, visando assim à qualidade do alimento para o consumo humano. Diferente dos produtos da agricultura classificada como “convencional”, produzidos com o uso de adubos químicos e agrotóxicos.

Além disso, em comparação entre os dois tipos de alimentos, os orgânicos geralmente são pequenos e não têm tamanhos uniformes. Quanto à durabilidade de frutas, legumes e verduras orgânicas, já se verificou que estes têm menos água em sua composição. O que significa dizer que o menor teor de água no interior dos tecidos vegetais reflete em uma menor proliferação de bactérias e maior conservação.

Engenheiro agrônomo e professor da UFG, Paulo Marçal Fernandes. (Foto: Brunna Stefanni)

Quanto ao custo benefício, apesar de serem mais caros e não serem encontrando em todos os supermercados, as vantagens de cultivo e consumo desses alimentos são imensamente maiores, e não somente à saúde, mas também ao meio ambiente. O plantio orgânico promove a sustentabilidade, minimiza o efeito estufa e o aquecimento global e reduz ainda a contaminação da água e do solo. Outro ponto positivo é a segurança alimentar, já que os alimentos orgânicos são considerados mais confiáveis pelos consumidores.

Segundo o engenheiro agrônomo e professor da UFG, Paulo Marçal Fernandes, a produção de orgânicos vem crescendo e isso é resultado e reflexo de uma educação nutricional. “O público consumidor valoriza essa atividade e pagam um pouco mais caro porque tem a garantia que esse tipo de alimento irá fazer bem à saúde”, pontuou. Porém, destaca que se trata de uma educação que ainda precisa ampliada, ao ponto de criar uma consciência de consumo, capaz de tornar possível um planeta mais sustentável.

Agricultura sustentável e segurança alimentar

Toda abordagem dentro desse sistema visa pelas diretrizes de ser ecologicamente correto, socialmente justo, economicamente viável e culturalmente aceito. E mais que um processo de produção, a agricultura sustentável trata-se de uma filosofia de vida, que busca cuidar do planeta e das pessoas. E mesmo com diferentes abordagens, todas possuem o mesmo objetivo: promover mudanças tecnológicas e filosóficas na agricultura.

Segundo a professora da UFG, Estelamaris Tronco Monego, a segurança nutricional no Brasil se baseia no PIDESC (Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais). Um país que se encontra muito bem amparado pelo marco legal, com três principais políticas:

  • Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN);
  • Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN);
  • Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO);

“Esse três documentos embasam tudo o que for pensado em termos de Segurança Alimentar Nutricional”, ressalta Estelamaris.

 

Orgânicos (Foto: Bruna Stefanni)

Iniciativas no país que valorizam as práticas sustentáveis

Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO), também conhecido como Brasil Ecológico. E a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN), ambas citadas anteriormente.

PLANADO: Seu objetivo é articular e implementar programas e ações indutoras da transição agroecológica, da produção orgânica e de base agroecológica, como contribuição para o desenvolvimento sustentável, possibilitando à população a melhoria de qualidade de vida por meio da oferta e consumo de alimentos saudáveis e do uso sustentável dos recursos naturais.

PNSAN: Entende-se a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que seja ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.

Sendo assim, trata-se de políticas que abordam o uso e conservação de recursos naturais e o conhecimento. Visando promover, ampliar e consolidar processos de acesso, uso sustentável, gestão, manejo, recomposição e conservação dos recursos naturais e ecossistemas em geral. Fortalecendo ações que vão desde a produção até o consumo de alimentos, e fomentando assim sistemas alimentares baseados na transição agroecológica.

Por fim, temos importantes iniciativas que preveem o acesso universal aos alimentos, considerando as necessidades nutricionais e alimentares, a cultura local e qualidade do que é produzido. Ações que protegem os agricultores e demais trabalhadores, os consumidores e as comunidades. Além disso, são sistemas que consideram a democracia alimentar, a redistribuição de poder, incentivam a participação social e procuram não gerar danos ao meio ambiente, assim como buscam reduzir as perdas e desperdícios.

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