Permacultura – Uma nova chance para o futuro

Práticas sustentáveis em busca da recuperação dos recursos naturais

Foto: Reprodução

 

São tempos difíceis esses, quando vemos os recursos naturais do mundo se esvair por conta das atividades humanas. Queimadas, desmatamento, salinização, todos são processos que afetam diretamente o solo e a vegetação, acarretando inúmeros problemas ambientas e degradáveis. Porém um dos mais graves problemas que contribuem para esse desencadeamento é a falta de conscientização. O ser humano é o principal agente em contato direto com o meio ambiente capaz de matá-lo.

Segundo estudo publicado pelo jornal “Science Advances” em 2016, 71% da população mundial já enfrentam problemas severos de escassez de água. Problemas na distribuição de água, uso irresponsável de pessoas e empresas, desde o consumo doméstico ao financiamento de grandes produções. Declarações recentes feitas pela ONU estimam que mais de 2,7 bilhões de pessoas deverão sofrer com a falta de água em 2025 se o consumo do planeta não diminuir.

Grandes problemas que precisam encontrar soluções que amenizem a situação com foco para o futuro do planeta. O permacultor, biólogo, educador ambiental e agroflorestor, Bruno Lopes, afirma que a ação do homem, através da agricultura sustentável pode inverter essa situação:

“Temos uma série de consequências que afetam os ambientes naturais, como a poluição dos rios, mares e lençóis freáticos, e a poluição do solo e do ar. Além disso, temos também grandes impactos naturais como o assoreamento, desertificação, erosão e perda da biodiversidade. E uma vez que você trabalha com uma monocultura, você tem uma única espécie e faz adição de uma série de agroquímicos, não está respeitando o ambiente. Você chega a um lugar que é natural e o desmata para plantar uma única planta, então, tudo isso tem um impacto muito negativo”.

Pensando em atitudes combatentes desta crise, vemos meios de agricultura e cuidados com o solo e a biodiversidade que tem resultados verdadeiramente significantes. E como exemplo destas ações sustentáveis, a permacultura é apresentada como sendo mais que um meio de plantio e restauração do meio ambiente. Inicialmente, a permacultura representava a “agricultura permanente” e com o tempo o termo foi ampliado para “cultura permanente”.

Trata-se de um sistema de design utilizado para a criação de ambientes humanos sustentáveis. Através do uso e manejo de diversos recursos, a permacultura vai muito além da agricultura e da agroecologia, e trabalha diretamente com a natureza, utilizando meios e ações que vão sempre junto dela e nunca contra. A sua principal característica está na aplicação criativa destas ações aos princípios básicos da natureza, integrando a biodiversidade, a fauna e flora, construções e pessoas em um ambiente produtivo e com estética e harmonia.

Fonte: Permacultura Príncipios e Caminhos Além da Sustentabilidade – David Holmgren

A frente disso, a permacultura representa mais que uma filosofia de vida, ela própria integra doze princípios de ética em design que simbolizam os domínios fundamentais para a criação de uma cultura de sustentabilidade. E objetiva dotar seus praticantes de métodos e técnicas que vão desde a criação ecológica de casas biossustentáveis, à criação de comunidades autossuficientes e produtivas em plantio e solo. Muito semelhante a este sistema é a agrofloresta, que integra a recuperação e criação de florestas e áreas verdes em sistemas de culturas agrícolas e animais para criar benefícios ambientais, econômicos e sociais.

Agrofloresta em construção, sítio Bruno e Rafael – Foto: Bruna Stefanni

O biólogo Bruno Lopes desenvolve um projeto em um sítio localizado na área rural de Hidrolândia, juntamente com o biólogo e ecologista, Rafael Torkarski, onde aplicam métodos da permacultura e agrofloresta há cerca de três anos. Para Bruno, os dois métodos são considerados sistemas orgânicos, onde você seleciona espécies para conviverem em um ambiente em que ambas vão se suprir por proteínas e nutrientes em consórcio com o solo, a partir da própria matéria orgânica de plantas inseridas nesse sistema.

“A agrofloresta vem principalmente com o objetivo de restauração de floresta, em áreas degradadas. E existe muita área degradada no Brasil, várias áreas que já foram utilizadas excessivamente e chega um momento que a terra já não tem mais condições de ser aproveitada”, pontuou Bruno.

 

Através de várias atuações desenvolvidas no sítio, Rafael cultiva a técnica do banheiro seco como meio de plantio de árvores e restauração do solo. Este banheiro é o meio mais prático e sustentável de adubo de terra. E quando questionado se utiliza de algum outro material para a mistura desse composto, ele brinca e diz, “é usado apenas o material puro e orgânico, e por isso quando plantam uma árvore através dele a gente chama de “Cagárvore.”

Construção de Banheiro Seco, sítio Bruno e Rafael –  Foto: Bruna Stefanni

Paulo Marçal, mestre em etimologia agrícola, é produtor e cultiva orgânicos em uma fazenda em parceria com o IBAMA, sob uma área de preservação e cuidado com mais de 600 espécies de animais silvestres e expõe sua visão sobre a criação de um novo mundo.

“Sustentável não é restrito! É um modelo de desenvolvimento. Eu entendo a sustentabilidade sobre um aspecto: um tripé básico, que são fundamentais. O desenvolvimento sustentável ou agricultura sustentável, então precisa atender a sustentabilidade ambiental, social e econômica, todos os três são igualmente importantes.”

Sendo assim, observamos que existem muitos meios de conscientização e restauração do nosso meio ambiente, como práticas e sistemas aplicáveis ao nosso dia-a-dia, capaz de construir um ambiente mais sustentável.

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