Plantio direto: alternativa sustentável para o solo

A prática é uma ótima opção para preservar o solo e torná-lo mais saudável para futuros plantios.

Coloração da terra indica tratamento adequado e bons cuidados. Foto: Bruna Stefanni

O avanço tecnológico possibilitou a medicina a criar técnicas de combate a diversas doenças que anos antes causariam extermínio em massa. Isto, consequentemente, propiciou um aumento populacional e por sua vez uma maior necessidade de plantio para consumo.

O solo é essencial ao plantio e matéria base para qualquer tipo de produção agrícola no mundo. Mas, infelizmente, tem sido frequentemente mau tratado pelo uso constante de produtos idealizados para acelerar a colheita e suprir a forte demanda. Esta prática é nociva ao meio ambiente, à saúde humana e à biodiversidade, por isso, percebeu-se que não basta cultivar alimentos suficientes, mas produzi-los com sustentabilidade.  

O produtor agrônomo e professor Paulo Marçal, durante entrevista aos alunos de jornalismo da PUC, fala sobre a importância do solo e como o próprio ser humano tem sido o agente principal da sua destruição. O solo fértil só existe se houver vida nele (…) Como matamos o solo? Agrotóxico, inseticidas e principalmente ervicidas, que eles são aplicados, eles percolam o perfil do solo, e têm impactos e desequilíbrio”, afirma.     

Com os passar dos anos desenvolveu-se técnicas de plantio para favorecer o solo e protege-lo contra fatores externos. Uma destas técnicas é o plantio direto. Antes, a maioria dos fazendeiros preparava a terra para novas semeaduras utilizando o arado.

De acordo com uma matéria do site especializado Scientic American Brasil, a aração é a razão básica da degradação da terra agricultável. A prática de revolver o solo antes de plantar encobre os restos da colheita anterior, do adubo animal e das ervas daninhas deixando-o vulnerável à erosão pelo vento e a água, além da criação de desvios para escoar sedimentos, fertilizantes e pesticidas para os rios, lagos e oceanos.

Plantação orgânica por plantio direto. Foto: Bruna Stefanni

Por isso, o plantio direto é um sistema de cultivo que potencialmente pode ajudar a concretizar esse modelo de agricultura sustentável. Nele cria-se em cada fileira um sulco de apenas 1,5 a 7,5 cm onde as sementes são depositadas.

O cultivo com conservação do solo engloba qualquer método que retenha resíduos suficientes da cultura anterior de modo que pelo menos 30% da superfície do solo esteja coberta depois do plantio. O efeito protetor desses resíduos é perceptível.

De acordo com os dados do Inventário de Recursos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a ação da água e do vento no solo de áreas cultiváveis do país diminuiu 43% entre 1982 e 2003, boa parte devido à adoção de cultivos com conservação do solo como o feito pelo plantio direto.

A prática do plantio direto também estimula a diversidade da fauna e da flora no solo ao fornecer alimento aos animais como as minhocas, por exemplo. Tais condições ajudam a melhorar a qualidade da matéria orgânica do solo, e favorece o desenvolvimento de uma estrutura interna mais estável, além de aumentar a sua capacidade de produzir melhores colheitas e de protegê-las contra o estresse por danos operacionais do cultivo, ou por danos ambientais.

Estes sistemas de cultivo podem ser aplicados em diversos tipos de clima, terrenos e áreas geográficas. O plantio direto contínuo também pode ser utilizado na maioria das lavouras, com exceção de culturas de arroz e em terras alagadas e de raízes, como a da produção de batata.

É importante criar conscientização com relação ao uso do solo. Marçal defende esta ideia e ressalta:

“temos que criar a consciência de consumo, na medida em que a gente criar a consciência de consumo nós vamos conseguir tornar o planeta sustentável”.

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